João Pessoa, 25 de Novembro de 2014

14 de Abril de 2010

Terremoto na China mata 400 e equipes de resgate ainda tentam encontrar sobreviventes

Terremoto na China mata 400 e equipes de resgate ainda tentam encontrar sobreviventes

Uma série de terremotos destruiu nesta quarta-feira centenas de casas e algumas escolas no remoto planalto na Província de Qinghai, na China, matando ao menos 400 e deixando outros 10 mil feridos. As equipes de resgate tentam encontrar alunos soterrados nos destroços de escolas no Condado de Yushu, enquanto esperam equipamentos e reforço chegarem à região.

A agência de notícias chinesa Xinhua relata que os tremores destruíram parte do prédio do governo de Yushu e algumas escolas vocacionais e primárias.

Não se sabe ainda quantos alunos estão soterrados, embora moradores digam que a maioria conseguiu fugir para os pátios de recreação antes da tragédia.

"A maioria das escolas em Yushu foram construídas recentemente e deveriam ter resistido ao terremoto", disse Wang Liling, voluntária da Gesanghua, uma ONG chinesa que ajuda crianças em idade escolar em Qinghai.

"Muitos prédios foram danificados, mas teremos que esperar até esta noite, quando nossa equipe chegar no local, para entender a extensão dos danos", disse Liling.

O colapso de diversas escolas causou grandes protestos da população em maio de 2008, quando um terremoto devastador matou mais de 80 mil pessoas na Província de Sichuan. Entre as vítimas estavam milhares de crianças.

Posteriormente, o governo puniu os responsáveis por compilar listas com o nome das vítimas e cidadãos que sugeriram que a baixa qualidade da construção das escolas havia contribuído para o alto número de mortos.

Talen Tashi, um morador de Yushu, diz que muitas casas térreas não resistiram ao impacto e desmoronaram.

Funcionários do Departamento de Estradas da Prefeitura de Yushu tentavam desesperadamente retirar os colegas presos no prédio que desmoronou, disse o funcionário Ji Guodong.

Ajuda

Tropas foram enviadas para Yushu e organizações privadas já enviaram suprimentos de ajuda humanitária por avião da capital provincial, Xining.

"Eu vejo pessoas feridas em todos os lugares. O maior problema agora é que faltam tendas, faltam equipamentos médicos, remédio e trabalhadores", disse Zhuohuaxia, porta-voz local.

Mais de 10 mil pessoas ficaram feridas e milhares estão desabrigadas em um tempo de frio rigoroso.

"As pessoas estão com muito medo", disse Pierre Deve, do Snowland Service Group, uma ONG local, acrescentando que muitos já perderam esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros.

Algumas pontes e estradas ao redor de Yushu racharam ou foram destruídas completamente, o que complica os esforços de resgate. O aeroporto está aberto, mas a estrada que o liga ao condado foi seriamente danificada.

O planalto do Tibete é frequentemente atingido por terremotos, apesar do número de vítimas ser normalmente pequeno, por poucas pessoas viverem na região. Cerca de 100 mil pessoas vivem em Yushu, espalhadas por uma vasta área, mas o terremoto atingiu uma região relativamente povoada.

O presidente Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao exigiram que nenhum esforço seja poupado no resgate das vítimas. O vice-premiê Hui Liangyu foi enviado a Qinghai para coordenar os esforços.

Tremores

O primeiro terremoto, de magnitude 5, atingiu a região de Qinghai às 18h40 desta terça-feira, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitora a atividade sísmica mundial. O tremor teve profundidade de 18,9 km e epicentro a 230 km de Qamdo, na região do Tibete.

Desde então, outros cinco tremores atingiram o mesmo local. O mais forte deles foi registrado com magnitude 6,9 e atingiu a mesma região às 20h49, também segundo o USGS. O instituto afirma que o tremor foi registrado a uma profundidade de apenas 10 km e epicentro a 240 km de Qamdo.

A agência de notícias Xinhua cita funcionários do Centro de Terremotos da China dizendo que ao menos 18 réplicas --tremores secundários-- foram registrados e que mais terremotos de magnitude maior do que 6 são esperados nos próximos dias.

Qinghai é habitada principalmente por tibetanos, mongóis, hui (muçulmanos) e chineses da etnia majoritária han.

Esta foi uma das zonas afetadas pelo terremoto que, em maio de 2008, atingiu o norte da vizinha Província de Sichuan, deixando cerca de 87 mil mortos e desaparecidos. Entre as vítimas estavam milhares de estudantes de escolas primárias.

Cinco milhões de pessoas perderam suas casas no tremor e as autoridades estimaram que o trabalho de reconstrução levaria três anos.

Folha online

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