João Pessoa, 16 de Agosto de 2017

12 de Novembro de 2010

Quebrando barreiras: tratamento une ciência e arte para ajudar na recuperação de bebês prematuros através das composições de Mozart

Quebrando barreiras: tratamento une ciência e arte para ajudar na recuperação de bebês prematuros através das composições de Mozart

Em pé, ao lado da incubadora, Geneide Barbosa nem percebe as horas passarem ao afagar com as pontas dos dedos a cabeçinha de seu filho que nasceu prematuro com sete meses e necessita de cuidados. Ela nos mostra os fios que foram colocados no corpo do pequeno para monitorar a pressão, a respiração e os batimentos, e nos conta como as composições de Wolfgang Mozart, que ela nem conhecia, estão ajudando na recuperação de João Gabriel. “Ele fica mais tranqüilo, dorme bem, relaxa e consegue mamar com mais facilidade”.

Um novo olhar da medicina conseguiu unir ciência e arte para tratar os prematuros. O projeto pioneiro no Estado da Paraíba está sendo utilizado há 11 meses na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal da maternidade do Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho, em João Pessoa. A coordenadora da UTI Neonatal e idealizadora do projeto de musicoterapia informa que o tratamento foi implantado faz pouco tempo e está sendo realizado com sucesso em alguns hospitais do Brasil e do mundo. Na Paraíba, mais de 70 bebês prematuros foram tratados e apresentaram resultados positivos em seu desenvolvimento.

Alexandrina explicou que a musicoterapia age nos níveis dos hemisférios cerebrais e tem uma ação positiva, melhorando o coeficiente de inteligência dos prematuros. “Estudos revelaram que a terapia através da música consegue diminuir as frequências respiratórias e cardíacas, a saturação (aproveitamento de oxigênio), a expressão facial e os movimentos de corpo do bebê. Com isso, os recém-nascidos melhoram sua saúde e diminuem o tempo de permanência na UTI”.

Como é feito o tratamento – O projeto de musicoterapia consiste em colocar músicas para os bebês escutarem duas vezes por dia. Antes de cada momento de sonorização, faz-se silêncio total no ambiente por 30 minutos e, em seguida, mais 60 minutos de Wolfgang Amadeus Mozart, além de sons da natureza (barulho de água, floresta, pássaros, cachoeiras e até mesmo o movimento intra-uterino, com ritmos cardíacos ao fundo). Uma técnica simples e sem custos mensais para a unidade de saúde, com a aquisição apenas de um micro system (aparelho de som pequeno) e CDs gravados com músicas de Mozart. Com essas ferramentas e dedicação da equipe o tratamento é realizado diariamente.

“Nos primeiros meses de vida, os bebês já tem capacidade de identificar e reconhecer os sons. Os resultados são fantásticos com prematuros que apresentam patologias neurológicas e cardíacas. Os sinais são percebidos através da postura relaxada, do ganho de peso e do equilíbrio da temperatura corporal dos recém-nascidos”, informou a coordenadora da UTI Neonatal que junto com sua equipe vem acompanhado a evolução e registrados os resultados, e acrescentou “a musicoterapia está proporcionando também a melhoria na qualidade do trabalho dos profissionais do setor. Eles ficam mais relaxados após cada sessão e desempenham suas funções com mais motivação”.

Ansiosa, a mãe do pequeno João Gabriel vai permanecer ao seu lado de João Gabriel até que ele se recupere, ganhe peso e possa ir para casa. Ela comentou que após receber alta médica vai continuar fazendo o tratamento através da música em casa. “Os médicos falaram que dentro de alguns dias ele deve receber alta por que vem ganhando peso rapidamente. Eu achava que o silêncio era a melhor forma de manter o bebê tranquilo, agora tenho um novo olhar para as técnicas que vão além da ciência e do uso de medicamentos”.


Gledjane Maciel

PB Agora



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