João Pessoa, 28 de Fevereiro de 2017

11 de Janeiro de 2017

Cinzas de mortos em chacina na Espanha são liberadas para familiares

Cinzas de mortos em chacina na Espanha são liberadas para familiares

 Um dia após ter chegado a João Pessoa, as urnas com as cinzas da família paraibana assassinada em Pioz, na Espanha, foram liberadas na manhã desta quarta-feira (11) para que os parentes sepultem os restos mortais. George Américo, irmão de Janaína Américo, uma das vítimas mortas na chacina, confirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal procedeu com a entrega após inspecionarem as urnas. Foram quase quatro meses de espera desde o dia em que os corpos de Marcos Campos, Janaína Américo e seus dois filhos foram encontrados na Espanha.

Abalado após retirar as urnas da irmã gêmea Janaína e da sobrinha Maria Carolina, George Américo lamentou o fato de reecontrar os parentes desta forma. "Foram em vida e retornaram em caixas. Nunca esperei levar minha irmã desse jeito. Ainda lembro do dia que fui deixá-la no aeroporto, ela me beijando, a gente agarrado, e agora estou segurando ela em uma caixa de papelão. É muito duro. Não sei o porquê de tanta brutalidade. Que as pessoas que fizeram isso com ela paguem, e paguem caro", comentou George.

Os corpos das quatro vítimas foram achados esquartejados em uma casa na cidade espanhola de Pioz em setembro, depois que um vizinho alertou sobre o mal cheiro perto da casa da família, a cerca de 60km de Madri.

Após o início das investigações, a Justiça emitiu uma ordem de prisão europeia e internacional contra Patrick Gouveia, sobrinho de Marcos, que se entregou um mês depois e confessou o crime. Ele declarou que matou os quatro porque “achou” cruel matar apenas o tio. O jovem segue preso na Espanha.

Após a liberação, a urnas devem ser preparadas para uma missa na igreja São Gonçalo, no bairro da Torre, na capital paraibana, que está marcada para noite desta quarta-feira. O velório e o sepultamento dos restos mortais da família morta na Espanha está marcada para ter início na manhã desta quinta-feira (12) no cemitério Parque das Acácias, no bairro do José Américo, em João Pessoa.

Momento de dor "Esse momento é de muita dor, de muita tristeza pra gente. A gente não esperava que na nossa família sucedesse uma coisa tão terrível. Eles foram inteiros e estão voltando as cinzas", disse emocionado Walfran, ainda no aeroporto onde pousou o avião que transportou as cinzas. "Uma coisa dessa destruir uma família inteira, não é fácil não", disse a irmã de Marcos, Ana Nogueira.

Já o irmão de Janaína, George Américo, desabafou que é difícil para a família acompanhar o andamento da investigação na Espanha, especialmente por conta da língua e dos termos locais. Para eles, a dor só vai ser amenizada "quando a justiça na Espanha for feita". Questionados sobre como estão lidando com a perda, George diz que a religião tem ajudado muito a manter a esperança. "A vida de todos nós está acabada, mas vamos tentar retomar agora", disse.

Cinzas viajam desde segunda-feira As cinzas foram enviadas na segunda-feira (9), dezoito dias após a cremação. Os restos mortais da família vítima da chacina saíram de Madri às 18h41 de segunda-feira (9), mas só chegaram em solo paraibano por volta das 14h15 (horário local) da segunda-feira (10).

Segundo a família, as cinzas vão ser levadas em um carro funerário até o cemitério Parque das Acácias, em João Pessoa, onde serão depositadas em caixões com flores. Na quinta-feira (12) acontece o velório público, das 9h às 16h, ainda no Parque das Acácias. O velório será aberto e o enterro acontece às 16h (horário local) no mesmo cemitério.

Atraso na repatriação dos corpos Walfran confirmou que além do irmão, Janaína Américo e as crianças Davi e Maria Carolina tiveram os corpos cremados em uma funerária em Guadalajara, na Espanha, no dia 23 de dezembro. A demora na repatriação das cinzas aconteceu por conta do período de final de ano e devido à burocracia na emissão da documentação de uma das vítimas, o filho mais novo do casal, de um ano, que havia nascido na Espanha, mas não tinha sido registrado.

Os corpos da família paraibana assassinada foram liberados pela justiça espanhola no dia 20 de dezembro, mas faltava a expedição das certidões de óbito por parte do consulado brasileiro na Espanha, para que as urnas com as cinzas fossem levadas para uma empresa de aviação.

Crime narrado pelo WhatsApp Patrick Gouveia, o sobrinho de Marcos que confessou ter matado a família, teria recebido "dicas" do amigo Marvin através do WhatsApp. O jovem de 18 anos foi preso no bairro Jardim Oceania, em João Pessoa, no dia 28 de outubro. Segundo o delegado de homicídios Reinaldo Nóbrega, o estudante Marvin Henriques Correia chegou a receber fotos e manter uma conversa em tempo real com Patrick durante a execução do crime Marvin Henriques foi solto no dia 30 de novembro e vai responder ao processo em liberdade, cumprindo medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica, ficar recolhido em casa todos os dias das 22h às 6h (horário local) e comparecer mensalmente em cartório.

Já Patrick foi preso no dia 21 de outubro, encaminhado ao presídio de Alcalá Meco, mas foi transferido ao presídio de Estremera, na província de Madri, pois estaria sendo ameaçado de morte or outros detentos latino-americanos.

Segundo o jovem confessou à polícia, não foi a primeira vez que ele sentiu vontade de matar alguém. “Três dias antes [do crime], senti a necessidade de matar. Isso acontece muitas vezes, desde os 12 anos. Quando isso acontece, eu bebo muito”, declarou o jovem em depoimento.

G1.com.br



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