João Pessoa, 17 de Agosto de 2017

15 de Março de 2017

Moradores de Aleppo se mostram otimistas sobre fim da guerra na Síria

Moradores de Aleppo se mostram otimistas sobre fim da guerra na Síria

 Mohamed Baqdul abandonou Beirute para retornar a Aleppo com sua família, convencido de que a reconquista da Síria pelo exército havia acabado com seis anos de guerra em seu país.

O homem de 50 anos fugiu da grande cidade do norte da Síria para buscar refúgio no Líbano em 2012, quando os rebeldes conquistaram o leste de Aleppo e colocaram o regime do presidente Bashar al-Assad sob pressão.

Quatro anos depois, a situação mudou por completo. Após a reconquista total de Aleppo em dezembro, o exército deu uma guinada no conflito e arruinou os sonhos de uma rebelião abalada.

"Quando soube que Aleppo estava seguro, pensei que a guerra estava a ponto de acabar e trouxe minha família de volta", explica Mohamed diante de sua nova loja de material de construção.

No ex-bairro rebelde de Chaar, alguns moradores comparecem a seu estabelecimento para comprar o necessário para reconstruir suas casas, destruídas nos combates e bombardeios.

Cansados A guerra civil síria começou no dia 15 de março de 2011, depois que manifestações pacíficas, reprimidas com violência pelo regime, se transformaram em luta armada. Desde então, o conflito se tornou o mais letal do século XXI.

Ao retomar Alepo e impor tréguas em outras zonas rebeldes, o regime venceu a principal batalha contra os insurgentes. Mas o restante do país prossegue abalado por combates entre beligerantes locais, regionais e internacionais.

A rebelião, apoiada pelos países do Golfo, Turquia e algumas nações ocidentais, alcançou o auge em 2012. Naquele momento fez o regime balançar, mas o apoio de Moscou e Teerã a Assad mudou o rumo do conflito a partir de 2015.

Apesar da guerra estar longe do fim, o regime se encontra atualmente em uma posição de vantagem e deseja reconquistar os territórios perdidos, especialmente os que caíram sob o poder do grupo Estado Islâmico (EI), que enfrenta múltiplas ofensivas no país.

Em Aleppo, a cidade mais devastada pela guerra, muitos habitantes compartilham o otimismo de Mohamed. "Acredito que a guerra está no fim porque as pessoas estão cansadas e preferem permanecer em casa, em vez de fugir", disse Brahim Amura, um operário de 35 anos, no ex-bairro rebelde de Karm al-Jabal.

Como um símbolo, o barulho das máquinas nas ruas, dos geradores de energia elétrica e das betoneiras substituiu o som das armas. Vai levar tempo Em Aleppo, a imagem de Assad com o presidente russo Vladimir Putin em segundo plano está nos outdoors posicionados nas ruas em que circulam os veículos militares e soldados russos.

O município tenta suprimir qualquer rastro da antiga linha de demarcação. Mas o contraste é grande entre a zona oeste, que estava sob poder do governo e não sofreu muitos danos, e a zona leste, que era controlada pelos rebeldes, onde os edifícios foram destruídos pelas bombas.

A água é limitada na cidade e os moradores formam grandes filas diante das fontes. Mas o governo provincial prometeu que, após quase dois meses sem fornecimento, a população voltará a ter água corrente depois que o exército retomar do EI a estação de bombeamento de Khafsa, a 90 quilômetros da cidade. "Os habitantes estão cheios de energia e de otimismo", disse o vice-governador de Aleppo, Abdulghani Kasab.

"A reconstrução vai levar tempo, mas vamos trabalhar duro". A vida que volta A mensagem é diferente entre os ex-rebeldes que moram a vários quilômetros da cidade.

"Aleppo é a mãe de todos os revolucionários. Sua perda foi realmente como perder a nossa mãe", afirmou por telefone Abu Maria, um ex-rebelde de 30 anos. Para Thomas Pierret, especialista em Síria na Universidade de Edimburgo, "Aleppo simbolizou a esperança da oposição de apresentar-se como uma alternativa crível ao regime (...) E foi esta esperança que voou pelos ares em dezembro, devolvendo à rebelião o status de insurreição periférica".

A oposição "sonhava em construir ali uma administração rival de Damasco (...), mas a derrota quebrou a moral da insurreição. Ao redor de Damasco se multiplicam as rendições", afirma Fabrice Balanche, do Washington Institute.

Ele calcula que o regime controla agora 36% do território, enquanto o EI ocupa 29%, os curdos 23% e os rebeldes 12%. Após a derrota em Aleppo, "vários grupos rebeldes aceitaram dialogar com representantes do regime", indica Balanche. Em janeiro começaram a negociar pela primeira com a mediação da Rússia e da Turquia, dois países que até então eram rivais a respeito da questão síria.

A prefeitura de Aleppo acaba de plantar limoeiros e laranjeiras sobre uma das pontes. "É um sinal de que a vida volta", disse Mohamed Jasem Mohamed, funcionário municipal de 43 anos.

G1.com.br



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