João Pessoa, 19 de Novembro de 2017

17 de Julho de 2017

Ator paraibano Lucas Veloso é destaque nos Trapalhões 2017

Ator paraibano Lucas Veloso é destaque nos Trapalhões 2017

Trapalhões em 2017 'driblam' politicamente correto com pastelão, diz Lucas Veloso, o Didico


Para ator, 'carinha de safado' é ponto em comum entre seu humor e o de Renato Aragão. Ao G1, ele fala sobre 'espírito Trapalhão' e adaptações no programa, que estreia nesta segunda (17) no Viva.  


ô, psit, é ieu! Didi? Não, Didico - ou Lucas Veloso, líder dos novos Trapalhões. O ator paraibano de 21 anos lança nesta segunda-feira (17) no canal Viva e em setembro na Globo o trabalho que considera “o divisor de águas” da sua vida. Em dois meses de preparação para o personagem, ele aprendeu que, para ser um membro da trupe, é preciso mais do que ser engraçado.


“O fundamental não é a voz ou uma gracinha. É o estado de espírito do Trapalhão. Depois, aí sim, vem a voz e o corpo”. E o que é esse tal espírito? Lucas explica ao G1:


“É a disposição de brincar com qualquer um, qualquer coisa, a qualquer momento. Mas sem a malícia do adulto. O Trapalhão ainda é uma criança.”


Qualquer coisa mesmo?

Embora a nova versão procure ser fiel à original, o ator admite que adaptações precisaram ser feitas em tempos de politicamente correto. “Os dias de hoje não permitem a gente fazer qualquer piada. Nossa geração está um pouquinho problemática com isso. Conseguimos trazer os anos 70 e 80 de volta, mas com o politicamente correto, que também é importante.”


Para ele, é possível brincar com minorias, desde que elas possam “rir de si mesmas”. Os artifícios do humor pastelão, que fizeram dos Trapalhões ícones brasileiros, hoje servem para “driblar” a patrulha, mas sem deixar conservador demais, diz Lucas. “O programa está leve. Não tem um humor bobo, mas está suave”. Ele completa:


“Às vezes, o politicamente correto encareta o humor. Nosso texto não ficou careta.”


'Carinha de safado'

Filho do humorista Shaolin, Lucas faz palhaçadas desde os 5 anos e, além do trabalho na TV, se apresenta pelo Brasil com piadas e imitações - ele tem um repertório de mais de 50 personagens, como Silvio Santos, Chacrinha, Marília Gabriela, Chico Anysio e Maria Bethânia. No ano passado, fez sua primeira novela, "Velho Chico".


Para o novo trabalho - que Shaolin comemoraria "por uns 15 anos", brinca -, fez ajustes no humor que aprendeu com o pai. "O humor que meu pai fazia e eu tem muito a ver com mostrar que você sacou alguma coisa que ninguém mais sacou. Já o trapalhão é o último a perceber o que está dando errado, mas é malandro. É o malandro ingênuo", explica. "Precisei me adaptar nisso, tirar o excesso de confiança". Mas ele vê semelhanças com o estilo de Renato Aragão:


"Renato tem uma carinha de safado, você ri da cara cínica dele. Eu tenho muito disso também, de fazer piadas absurdas com cara de que nada está acontecendo. Nós dois temos um humor nonsense, um pouquinho dissimulado, um pouquinho cruel até."


40 anos depois

Lançada em homenagem aos 40 anos do programa, a nova versão dos Trapalhões tem, além de Lucas, Mumuzinho (Mussa), Bruno Gissoni (Dedeco), Gui Santana (Zaca), Nego do Borel (Tião) e Ernani Morais (Sargento Pincel).


Renato Aragão e Dedé Santana participam. "Eles não precisavam se preocupar com quatro moleques que estão começando, mas nos deram uma atenção fora do comum. Nos ajudavam a passar o texto, estavam sempre com a gente", conta Lucas.


Em nove episódios, cenas históricas serão revividas - entre elas o musical “Papai eu quero me casar” - e esquetes inéditas incluirão elementos de 2017, como aparelhos tecnológicos. A essência, porém, é a mesma de 40 anos atrás, segundo o ator, e não deve desaparecer tão cedo:


"O projeto Trapalhões é maior do que qualquer ator, não pode durar só quarenta anos. Vou chegar aos 70 e falar: 'Fui um Trapalhão', vivi isso, morram de inveja'."


Foto: Divulgação/TV Globo

G1



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