João Pessoa, 16 de Agosto de 2017

06 de Agosto de 2017

Entenda o porquê dos testes antes de pintar o cabelo

Entenda o porquê dos testes antes de pintar o cabelo

 "Imagine ir a um salão, pintar o cabelo e, menos de uma semana depois, estar careca?". O relato é da brasiliense Melissa Vieira, 20 anos, que precisou raspar o cabelo depois de fazer uma tintura sem realizar o teste alérgico antes. A estudante de pedagogia teve uma alergia gravíssima, precisou tomar duas injeções de adrenalina e ficou internada dois dias por causa da reação. Melissa pinta o cabelo desde os 15 anos e nunca havia tido problemas com o couro cabeludo. Até este ano, quando, depois de dar à luz seu primeiro filho, foi ao salão para retocar a cor das madeixas. Por ainda estar amamentando e por instrução da própria cabeleireira, a jovem comprou uma tinta sem amônia para usar. Levou para o salão e, sem fazer o teste na pele e o teste das mechas, a profissional deu início ao processo. "Eu fiz o teste das primeiras vezes que pintei meu cabelo. Como nunca tive reação, nem pensei que dessa vez eu passaria mal. Não recomendo isso para ninguém. Foi um momento muito difícil para mim, minha autoestima ficou muito abalada", lembra. Ela foi ao hospital e o médico recomendou que tomasse antialérgico e doses de adrenalina. Sem apresentar melhora, precisou ser internada. "Quando o médico disse que eu precisaria raspar o cabelo, meu mundo caiu. A gente nunca acha que vai acontecer com a gente", desabafa. A estudante raspou completamente o cabelo na unidade hospitalar e, só depois disso, a alergia começou a sumir. Ela teve alta e voltou para casa. No entanto, não se sentia mais a mesma: "Eu não me reconhecia mais. A sociedade faz com que a gente fique muito dependente do cabelo para se sentir bem. Hoje eu sei que a gente pode ser linda com ou sem cabelo, porque quando eu aceitei de fato o que tinha acontecido, eu não me senti feia. Eu me senti bem." Qual tinta é melhor?

O dermatologista Leonardo Stagnol, especialista em cabelo e médico voluntário do Hospital Universitário de Brasília, explicou que não há como prevenir a alergia e que, mesmo usando o mesmo produto por anos, ainda assim pode dar reação. Stagnol esclarece ainda que há várias marcas de tintas no mercado - sem amônia, sem chumbo, orgânica e sem óleo -, contudo, não implica, necessariamente, em um produto hipoalergênico. Para evitar reações alérgicas, a principal dica do médico é: leia os rótulos antes de utilizar qualquer cosmético. Há algumas substâncias que são mais comuns de causarem alergia, como a parafenilenodiamina, conhecida como ppd.

"Não posso assegurar que, se não tiver o ppd, a pessoa não vai ter alergia. As tintas menos químicas, teoricamente, fazem menos mal, mas isso é muito relativo. Alergia é pessoal", acrescentou. Além disso, ir em um profissional experiente e fazer os testes antes podem ajudar durante o procedimento. A colorista Núbia Rodrigues afirma que, antes de fazer a tintura em um cliente, pergunta antes se ele tem alguma alergia, se já fez algum processo químico ou se tem alguma marca favorita. É uma rotina de cuidado padrão. "As tintas que são mais acessíveis mantêm uma qualidade similar. As profissionais, que vão para o salão, são diferenciadas. Independentemente da marca, a gente sempre faz os testes. É preciso muito cuidado", disse. Em nota, a Loreal, empresa responsável pela tinta que Melissa utilizou, ressalta a importância de análise do couro cabeludo e o teste de sensibilidade ao produto. Ela recomenda que seja feito 48 horas antes da coloração. "Caso não seja entendida alguma das informações contidas no folheto da caixa ou tenha algum problema mesmo com todos esses cuidados, não deixe de contatar o atendimento ao consumidor. Em todos os produtos de Niely, por exemplo, você encontra essa informação. Estamos sempre prontos para atender nossos consumidores através do canal 0800". Queimaduras

Além de Melissa, outro caso similar viralizou nas redes sociais, mas dessa vez no Reino Unido. A britânica Kirsty Weston, de 29 anos, quis pintar o cabelo com as cores de um unicórnio e teve o couro cabeludo gravemente queimado. Ela precisou ser submetida a uma cirurgia de transplante de pele, porque, provavelmente, seu cabelo não irá crescer nunca mais. Os folículos capilares foram queimados. Para voltar a ter madeixas, ela pode se submeter a um tratamento invasivo, inserindo balões sob o couro cabeludo, que receberiam, semanalmente, soluções salinas. Apesar das dificuldades, Kirsty deseja que sua história "sirva de exemplo para outras pessoas que queiram realizar esses tipos de procedimentos sem a ajuda de profissionais."

Redação



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