João Pessoa, 18 de Novembro de 2017

11 de Novembro de 2017

Militares americanos intervêm na Amazônia pela 1ª vez

Militares americanos intervêm na Amazônia pela 1ª vez

"A região está passando por uma situação bastante caótica e pouco clara no que se trata desses acontecimentos, e os EUA se aproveitam, logicamente, da instabilidade", afirmou o analista Raúl Zibechi sobre o contexto no qual se realizam os exercícios militares Amazon Log 2017, que pela primeira vez deram o acesso de tropas estadunidenses à Amazônia.

Entre 6 e 13 de novembro, cerca de 1.500 soldados brasileiros, 150 colombianos, 120 peruanos e 30 americanos participam das manobras polêmicas, rejeitadas pelas Forças Armadas do Brasil, pois estas entendem que isso implica começar a renunciar ao controle do principal reservatório de biodiversidade perante os americanos.

Com 5 milhões de quilômetros quadrados, 60% da Amazônia fica no Brasil.

"O exército brasileiro sempre foi e continua sendo muito zeloso em relação à soberania e controle da Amazônia. Nesse sentido, a presença de militares dos EUA neste território gerou uma rejeição muito importante por parte das Forças Armadas: ‘O controle cabe aos brasileiros e isso é algo que está fora de questão", explica Zibechi à Sputnik Mundo, falando do impacto geopolítico de iniciativas como o Amazon Log 17.

Ademais, o analista caracterizou o contexto nacional que rodeia as respectivas manobras, ou seja, a política do atual governo brasileiro, destacando que é um governo que "está privatizando esta [a Amazônia] em massa", e sobretudo permite o acesso de empresas internacionais aos recursos naturais do país, inclusive o pré-sal.

"Os recursos naturais têm uma relação direta com a soberania nacional porque não se trata de conservacionismo puro: trata-se de reafirmar a soberania sobre os recursos, água, biodiversidade, questões nas quais as empresas norte-americanas tiveram e têm um interesse especial. Não é uma questão menor, é um tema muito forte", advertiu o especialista.

"É uma zona estratégica para o Brasil, sobretudo porque é a tripla fronteira entre Peru, Colômbia e Brasil, é uma zona amazônica, de forte crescimento populacional, com forte migração da Venezuela. […] É uma zona equatorial, o que significa tudo o que tem a ver com a esfera aeroespacial, esta zona será sempre apreciada por todas as potências", resumiu, adiantando que a região, acima de tudo, sempre foi muito rica em recursos minerais, inclusive raros, o que tem provocado inúmeros conflitos entre várias nações.


Jornal do Brasil



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