Apóstolo do Nordeste e um passo importante para a beatificação. Católicos comemoraram a decisão do Papa Francisco de declarar o padre José Antônio Maria Ibiapina, venerável. O bispo de Guarabira, na Paraíba, dom Aldemiro Sena, destacou sua alegria e a alegria de toda diocese pelo ato do pontífice, segundo ele, um momento de festa e grande júbilo.
O Papa Francisco reconheceu oficialmente, esta semana, o Padre José Antônio Maria Ibiapina como venerável, um importante passo para sua beatificação. Padre Ibiapina nasceu em Sobral, Ceará, em 1806, e dedicou sua vida ao serviço dos pobres no Nordeste.
O decreto reconhece as “virtudes heroicas” do sacerdote brasileiro José Antônio Maria Ibiapina. Com o reconhecimento o “apóstolo do Nordeste” passa de Servo de Deus para o título de Venerável, que são etapas anteriores a Beato e a de canonização, quando se torna santo.
Padre Ibiapina é uma figura icônica na história religiosa do Nordeste brasileiro. Conhecido como o Apóstolo da Caridade, ele dedicou sua vida a ajudar os pobres e construir uma rede de solidariedade em diversas comunidades. Sua memória continua viva através de seus feitos e inspiração para a fé católica.

A Diocese de Guarabira também divulgou, por meio da Comissão para a Causa de Beatificação e Canonização do padre Ibiapina, a imagem oficial de veneração.
“A âncora, a flor do cedro e elementos do sertão nordestino estão aos pés do Padre Mestre Ibiapina que sempre teve a fé como âncora e o sertão do nordeste como ponto forte de sua missão através da caridade”, relata a diocese.
Ele fundou a primeira Casa de Caridade em Gravatá do Ibiapina, Pernambuco, em 1860, que se tornou o início de uma rede com 22 instituições. Essas Casas de Caridade ofereciam acolhimento, educação e assistência a moças órfãs e carentes. Além disso, ele realizou obras como a construção de capelas, açudes e cemitérios, sempre buscando o bem-estar das comunidades.

A iniciativa pioneira voltada ao acolhimento, educação e assistência de moças órfãs e carentes, se tornou uma rede de 22 instituições semelhantes espalhadas por Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Em Gravatá do Ibiapina, sua atuação foi além da fundação da Casa de Caridade. Ele mobilizou a comunidade local para a construção de uma capela, um açude e um cemitério, obras que até a atualidade simbolizam seu compromisso com o bem-estar coletivo.
Antes de se tornar sacerdote, Padre Ibiapina foi advogado, juiz e deputado, mas abandonou sua carreira pública e voltou a servir à Igreja em 1850. Conhecido como o “peregrino da caridade”, ajudou as pessoas durante a epidemia de cólera no Nordeste. Sua dedicação à fé e ao trabalho social foi interrompida por uma paralisia em 1875, e ele faleceu em 1883.
O título de venerável, concedido pelo Vaticano, reconhece sua vida de virtudes heroicas e abre caminho para sua beatificação, aguardando a comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão. Sua história continua inspirando celebração e devoção no Nordeste.
Brasileiro, natural de Sobral, no Estado do Ceará, José Antônio Maria Ibiapina, hoje venerável, nasceu em 5 de agosto de 1806 e trilhou uma vida singular antes de se dedicar integralmente à Igreja. Após abandonar o seminário de Olinda em 1823, em decorrência da morte de sua mãe, formou-se em Direito e exerceu cargos como juiz, delegado e deputado, destacando-se como presidente da Comissão de Justiça Criminal no Parlamento Nacional, em 1834.
Ele renunciou à carreira pública e, em 1850, retomou sua vocação religiosa. Ordenado sacerdote em 1853, passou a servir os mais pobres, sendo conhecido como “peregrino da caridade” durante a epidemia de cólera que assolou o Nordeste.
A trajetória de Padre Ibiapina, marcada por uma fé inabalável e serviço aos desfavorecidos, foi interrompida em 1875, quando uma paralisia o acometeu.
Severino Lopes
PB Agora